11 de julho de 2017

crônica de coletivo: como consegui minhas "emorróidas"

Chove um pouco, e eu não me canso de olhar pela fresta da única janela aberta dentro do ônibus. A sensação oscila como o vento gelado que força passagem entre-vidros, alívio e desespero. Meus monólogos aguardavam qualquer resposta que fosse do universo:
"Como saímos ilesos disso tudo?"
Sento no corredor e a senhora ao lado faz sinal que vai levantar. Trocamos olhares e sorrio com meus para ela - dizem que se você sorri, dificilmente não será retribuído.
- Tchau, mocinha!
Agora meus dentes a cumprimentam, não mais avaliando teses.
Dou espaço para que passe, nos esbarramos ombro a ombro. E quando ocupo seu lugar no ônibus, entendo que pra mim, na vida, a gente pode tudo, menos sair ileso.