28 de maio de 2017

Quando no direito dói mais

eles passavam pela rua
lambiam me a pele
com seus buracos
brancos
um par de olhos endentiçados
todo dia

eu que reclamasse
pois na minha pele
com seus buracos
um par de orelhas furadas
desde meu primeiro dia
significaria que eu fosse carne

meu gancho de abatedouro
é de ouro
folheado, obrigada

obrigada
a me gabar da minha força e estratégia cotidiana
pra não ser, sabe...
aquela palavra
que eu não consigo nem ouvir mais.

{me perguntaram o porquê de sempre ter meus olhos machucados
não aguento mais ver

4 de maio de 2017

Premeditado

o último e terceiro ato
esperada redenção
espectro superado
dívidas quitadas
pouco glamour
e palavras cansadas
de girar
girar
gira
nem foi nada
pra ninguém
...
na verdade foi pra
mim
e quem mais
haverá
de 
ser?

encebolei-me de cascas todas
antioxidada
porque não é fácil ser de água
e querer voltar pra terra
que solo eu sei
solo
eu sei.

E soube desde o primeiro ato.