13 de outubro de 2016

Fobos e Deimos

A melhor vista 
do eclipse de mim 
é por debaixo da cama 
deitada, de camisa molhada 
na cara

Já pensou se incomoda os berros de fora
Quando os meus saem daqui de dentro? 

Três séries de urros reprimidos
com intervalos de dez minutos de vazio
e nada
Enquanto no dia a tristeza é engomada
É de noite que a aporia amarrota
Fobos 
e Deimos 
em órbita. 

Trava, anda, se acostuma com a perda
dos olhos de vidro
netunianos que são 
e tão mais ébrios quicando no chão 

Fobos cochicha baixinho 
entre trechos da tristeza que balança 
a visão epicurista que viça
do salto, a presença: 
da ausência total de mim

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