13 de outubro de 2015

hoje é dia Dê...


Lita, empregada da casa, um pouco de babá, um tico menina. Da pele negra brilhante e cascos de pés barulhentos gastadores de chinela. Não se sabe ao certo em quais condições Lita se submetia, mas que o carinho da menina mais nova, com certeza, ela tinha.
Os miúdos cabelinhos ela enrolava, penteava, e em seu colo ela ninou a barrigudinha. Não existia outra pessoa tão engraçada quanto Lita, dos dizeres "ói muito tempo vesga pras coisas não, que se bater um vento fica".

Lita se foi, roubava dinheiro da casa, maltratava a mais velha; e o pouco de amor que tinha, levou consigo sem ao menos um beijo na menina.



Vanessa, pré-adolescente do novo prédio, escrava da avó e da macheza. Os olhos amendoados de Vanessa, tinham o mel em todos seus sentidos. Nada que a menina quisesse, que não lhe era conseguido. Mesmo que de antemão avisado para a barrigudinha, tudo que saísse da boca de Vanessa era maldizer, e até rinoceronte do primeiro namorado da menininha ela quis ter. A moeda de troca era boa, melhores amigas do mundo, suco de tamarindo e tardes na piscina ela dizia ter.

Que menina ingênua! Todos disseram quando Vanessa se foi, deixando de herança muitos folclores sobre a conduta da menininha. Ela nunca se esqueceu, nunca deixaram.



Ao longo de um quarto de vida — a que antes menina —, nunca entendeu porque não ensinaram, com regras, de que forma se diz adeus para quem está vivo. No entanto, com sua própria receita, os nomes e rostos estão organizados por ordem alfabética e cronológica. Começando por apatia.

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