22 de abril de 2015

Quando eu vejo a cidade poética


Quando eu vejo a cidade poética
É a calçada e o negro no horizonte da noite corrida
A janela aberta com maresia encrustada de vento varrido
A garota de cabelos curtos e o cara barbudo se entreolhando de lado
O carro acelerado e ouvidos vazios de cantos bonitos
Silêncio ficava enquanto eu só via amor em forma de brisa
Só lembrava do olhar e o que a moça dizia
"Olha pra mim, meu bem, e lembra desse dia comigo"

12 de abril de 2015


Quem sabe eu que tenha ofendido afrodite
O canto fúnebre sai daqui
Sirena menina, seu silêncio me dói
Me adestra pra morte


10 de abril de 2015

Eu te amo lírico não oralizado

olhou sacana
beijou, me chama
treme
vem cá, eu te seguro
antes eu soubesse
que beijo no olho
é isso tudo...


1 de abril de 2015

Intervalo

Foi por descuido.

Setecentos e oitenta e sete dias atrás, eu fui um sinal amarelo.
No último ano do signo de serpente, me coube ser o espacinho entre um samba triste e outro.
Os segundos excitantes de um salto, nunca o impulso.
Lembro também de ser aquele ventinho gostoso de perfume cheiroso que passou.
E quando fui aquele momento que antecede o momento antes do beijo? O da vergonha...
Dez pras nove e meia nas aulas de matemática.
A tarde agradável de quinta na praia, ela, fui eu quem fui.
Um dia inteiro de mensagens.
Ronco da fome na lanchonete pé-sujo da faculdade, muito fui.
Semana passada quis ser - só fui - o suspiro que arranquei da sua garganta.


Vermelho. Disritmia. Terra. Cangote. Agoniazinha. Recreio. Sábado. Bilhetinho. Ronco do sono. Orgasmo.

Não fui.


Mas foi...