12 de março de 2015

Epifania de Zé

       Zé, rapaz novo, de barris às costas, dava carona em suas itinerâncias emocionais.
   Aqui e ali, Zé abarcava moças em seu tonel de barro destampado. E, despreocupado, seguia viagem acostumado com despedidas de suas viandantes. Nem sempre Zé lidava bem com essa tal de despedida, mas de qualquer forma, nas sandálias de couro seu pé esfolava; Até que certo dia, moça bonita, bela raposa, para ele se apresentou: Olá, xô entrar, pra bagunça não vou ligar. Me leve daqui ali que em partida estou, de viagem pra mais nunca tristeza me alcançar.

       Zé, rapaz novo, de coração mole, sempre de moças bonitas cativação conseguiu. Bolava meio mundo de ideias, de canções e pranto partia, pra nunca mais tristeza alcançar.
       Acontece que, de bela raposa, moça bonita, Zé sabia que dela sua façanha seria copiosa, autêntica, inconsolável e teatral.
   Que de olhos semi-serrados a bela raposa, já dera seu recado:
- ô Zé, te cuida, o seu tá guardado.