2 de janeiro de 2015

Prole

        Nascida de espuma, concebi a ideia de que meus pés realmente tocavam o saibro barulhento. Há pouco havia embalado meu pequeno em um turbilhão de passagens desconexas e atemporais; ele dormia em meio ao Caos, de onde, desde o princípio, raiou.
Via-o nu, celeste e pequeno. Filho o qual não clamei, que de minha seiva não era.
Solitário  pensei. E logo trouxe à tona em meio ao vermelho pincelado que sangrava nublado, que seu irmão já habitava vingativo em mim.

       Pobre bebê ressonante. Anteros sugar-me-á todo o leite. 
       E nada poderei fazer.