8 de janeiro de 2015

Eutanásia

A Imperatriz me confessou segredos cabais,
onde marés tenderiam a se modificar.
Tola; andei pelas cartas claras do asfalto amarelado de reflexos siamêsicos.

E em cada toque gélido de realidade,
o sonho entrevava-se e esvaía das mãos do Rei.

O cajado Cigano que impunha-se a mim,
fazia e jazia parte dum tronco de flagelos.

A quem diga que esfolamento pouco é bobagem.
Eu digo.
Por favor, separa o ferro de açoite.

2 de janeiro de 2015

Prole

        Nascida de espuma, concebi a ideia de que meus pés realmente tocavam o saibro barulhento. Há pouco havia embalado meu pequeno em um turbilhão de passagens desconexas e atemporais; ele dormia em meio ao Caos, de onde, desde o princípio, raiou.
Via-o nu, celeste e pequeno. Filho o qual não clamei, que de minha seiva não era.
Solitário  pensei. E logo trouxe à tona em meio ao vermelho pincelado que sangrava nublado, que seu irmão já habitava vingativo em mim.

       Pobre bebê ressonante. Anteros sugar-me-á todo o leite. 
       E nada poderei fazer.