2 de junho de 2014

Brevaiedade

Aos olhos dos outros, já pude ter sido tachada de moleque. E de puta. Posso dizer que já me chamaram de ambos, ao mesmo tempo!



Quem sabe tivessem certas dúvidas quanto ao que pretendo estampar pra estes e aqueles, cada dia sendo um pouco tendenciosa pra um lado, um pouco pro outro... Talvez nunca dando certeza do que posso ser, talvez sempre dando.

Não dava nada. Como se isso pudesse dizer algo sobre mim.

E não quer? 

Não. As pessoas não podem ser julgadas pelo que vestem, por suas vaidades.

E são pelo quê? Julgamentos são pré-definidos em milésimos de segundos, já podemos dizer muito sobre quem sequer conhecemos.

Acho que é superficial demais.

Na verdade, subjugar vestimentas é quase tão ruim quanto extrapolar o valor delas.

E o que é essa tal vaidade que fala?

Vaidade, aquilo que é vão; que não tem conteúdo e se baseia numa aparência mentirosa.

Isso é o significado mais raso que pôde me dar. A primeira coisa que leu sobre vaidade? Também pode ser atributos físicos ou intelectuais, caracterizado pela esperança de reconhecimento e/ou admiração de outras pessoas.

Tão raso quanto a poça do meu cuspe. Assim como conceitos repetidos. O que fez só foi copiar algo que fora lido. Eis que surge a famosa moda!

Preciso procurar uma definição pra consenso, ou posso me poupar disso? Me cansa joguetes.



Ah, a vaidade, acho que o que melhor pode defini-la é pensar que seremos indefinidamente cicatrizados na vida de outrem...

Como poderia não presumir isso? Impossibilidade de apagar existências é um dos males da sociedade, você bem sabe.

Sei bem. Mas assim como sei que existências são frequentemente recicladas. Podemos não apagar, mas sim substituir memórias e acreditar muito que elas são, e, sempre foram desta forma. Não me leve a mal, aquele filme que tanto dizia sobre a vida de vocês, talvez hoje tenha outro significado. 


Aquela música de 2007, assim como lugares que partilharam, comidas e sexo. Tudo isso englobará muitos outros significados e referências. Que nada lhe são propriedade.

Nossa.

Acredite em mim. Você faz isso toda hora. É pretensão demais pensar que já não o fizeram contigo.
Aquela carta que outrora fora propriedade de fulminantes palavras, hoje faz parte de recordações de momentos breves. Até mesmo lembranças dessa conversa serão convencionadas e direcionadas a um específico significado da sua vida, que não será o mesmo de agora.

Breve que nem a vaidade, então?

Tão quanto.