7 de maio de 2014

"Guardei a sua carta"


[Passado pra mim, o fumo.]

É passado pra mim? Me perguntei.


O frenesi de quatro letras me fez sofregar o cigarro de forma mais rápida. Talvez fosse a única coisa que me tiraria do lugar – que não fossem os mosquitos.
Caminhando alguns passos pra longe daquela fumaça de conversas sem sentido, com meus olhos débeis tanto quanto meu humor, pude ler uma profecia que já era anunciada.

Meu suspiro e a baforada de vento frio deram as mãos.

[E então, fumei.]

Traguei o único carinho nas minhas costas, a forma meiga que falava de sentimentos sem me olhar nos olhos, e aquela outra que me fazia temer de encarar os seus.

[Até o meu imo gritar, eu soltei.]

De forma que aquilo se desfizesse na irrealidade daquela brisa, me obrigando a sentar novamente, lugar de onde nunca deveria ter saído. Fingi meu melhor semblante que até os saudosos mosquitos se convenceram disso.

Com aquela mensagem, a atitude mais plausível foi deixar tudo gravado, pra depois eu me torturar.


[Vou ter que passar?]